O Valor da Igreja
As Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) terão lugar em Agosto, em Madrid. Será uma oportunidade para celebrarmos a nossa fé e reafirmarmos a nossa adesão a Jesus Cristo. O tema escolhido por Bento XVI para estas jornadas é «Enraizados e edificados em Cristo…».
Em sintonia com o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, que preparou 12 catequeses para preparar as JMJ, reflectimos sobre o ser Igreja.
O que é a Igreja? Algumas pessoas usam «igreja» para descrever um belo edifício, enquanto outras dizem que é uma organização religiosa.
Etimologicamente, «igreja» deriva do grego «ekklesia», que se traduz por «um chamado para fora».
A palavra «ekklesia» traduz a palavra hebraica «qahal», que designava a congregação de Israel, uma nova comunidade convocada do cativeiro para adorar e servir a Deus e demonstrar o Seu poder no meio dos povos.
Ao denominar-se Igreja, a primeira comunidade cristã reconhece-se herdeira dessa convocação. Assim, a palavra «Igreja» passa a designar o povo que Deus convoca/chama e reúne de todos os recantos da Terra, para constituir a família dos que, pela Fé e pelo Baptismo, se tornam filhos de Deus, membros de Cristo e templo do Espírito Santo. A Igreja é uma comunidade de pessoas chamadas/convocadas a construírem uma família de crentes, que medita, reza e vive de acordo com o projecto de vida de Jesus Cristo.
SER IGREJA É SER SAL DA TERRA
Jesus, para explicar a vida da Igreja, usa a imagem do sal, e diz aos discípulos que devem ser o sal da Terra.
O sal já foi muito importante na conservação dos alimentos. Hoje temos frigoríficos e arcas congeladoras, mas antigamente as pessoas tinham salgadeiras – caixas ou depósitos com sal, onde conservavam os alimentos.
Ao descrever a Igreja como o «sal da Terra», Jesus estava a dizer que ela conserva a Sua mensagem e que preserva tudo quanto é bom numa sociedade.
O sal tem, ainda, outra qualidade: realça o sabor dos alimentos. Como o sal dá sabor à comida, também a Igreja deve imprimir uma diferença positiva na qualidade e estilo de vida daqueles que a rodeiam, isto é, na sociedade.
Embora os cristãos não tenham todas as respostas para as dificuldades e problemas da vida, nós deveríamos ser capazes de levar a paz, a esperança e o amor àqueles que estão confusos e desesperados, àqueles que são marginalizados e explorados no mundo de hoje. A mensagem cristã tem poder para transformar a vida e a tornar mais bela, justa e saborosa.
SER IGREJA É SER FERMENTO
Jesus também faz uma comparação com o fermento que em minoria se mistura com a massa e a faz crescer. Dizer que a Igreja é fermento é dizer que a sua missão é viver em função dos outros e no meio dos outros. Por isso, refugiarmo-nos ou isolarmo-nos do mundo para nos mantermos «puros» não tem sentido na vida da comunidade cristã.
A nossa fé não é para ser vivida em privado, mas é para ser partilhada em comunidade.
E a Igreja, ao ser fermento, aceita ser minoria, sem complexos de inferioridade. Os cristãos não temos vergonha de dar a cara pelos ideais e valores em que acreditamos. Foi, aliás, devido ao testemunho minoritário de muitos mártires que hoje podemos celebrar e viver a nossa fé em comum.
SER IGREJA É (RE)QUESTIONAR-SE…
É comum ouvirmos nas nossas comunidades. «Os jovens não vão à Igreja; os jovens estão perdidos; a Igreja está velha e é só para os velhos.» Face a estas expressões, é legítimo perguntar: «Porque é que os jovens já não se interessam pela Igreja?»
Os jovens têm responsabilidade nessa situação: o apego às coisas materiais e desligamento do espiritual, a opção pelo lado divertido da vida e a recusa de disciplina e sacrifícios, a falta de horizontes e de valores ainda são características de muitos jovens.
Mas a pergunta pode ser virada ao contrário: «Será que os jovens interessam à Igreja? Os jovens como eles são, e não como gostaríamos que eles fossem?»
Será que nós, Igreja – incluindo os jovens –, temos feito o esforço suficiente para falar a linguagem dos mais novos? Será que estamos dispostos a acolher os ventos de futuro que abanam as estruturas antigas e que muitas vezes põem em causa a nossa maneira de estar e pensar? Estaremos realmente abertos a uma diferença que ameaça, mas que pode, igualmente, ser um dom do Espírito?
SER IGREJA É… SER JOVEM…
Os jovens nem sempre entendem o verdadeiro ser e a real missão da Igreja, fruto de uma má comunicação: os jovens ficam a conhecer, realmente, o Evangelho na Igreja? A comunicação social interessa-se por informar bem a doutrina da Igreja, ou só fala de alguns aspectos e, às vezes, até os deturpa? E, perante isto, os jovens são críticos?
É urgente a promoção de verdadeiros espaços de escuta – nos grupos, movimentos, actos de culto –, em que os jovens partilham as suas dúvidas, esperanças, desacordos e experiências da beleza da espiritualidade cristã.
A Igreja terá de dialogar, mais que impor-se, nos momentos e espaços de reflexão onde os jovens aprofundam e debatem questões relacionadas com a juventude. E ser solidária com os jovens nas iniciativas científicas, artísticas e humanitárias, no trabalho para um mundo mais justo, solidário, pacífico e humano.
HIPERLIGAÇÃO
Disse Bento XVI que a presença dos jovens «renova, rejuvenesce e dá novas forças à Igreja», no entanto, depende também de ti fazeres e seres a diferença que queres ver na Igreja.
Para a tua reflexão, pessoal e/ou em grupo, usa o material multimédia que preparámos para ti no sítio da Audácia: www.audacia.org.
Por: ABEL DIAS, Professor | revista Audácia | www.audacia.org | audacia@netcabo.pt