Caros Diocesanos
1. “A Igreja afirmou, desde o primeiro século, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral.” Assim diz o Catecismo da Igreja Católica, nº. 2271.
Esta doutrina obriga em consciência todos os católicos que, por isso, em todas as circunstâncias, hão-de defender o ser humano nas várias fases do seu crescimento, desde a hora da concepção até ao seu termo natural.
2. A vida humana é um processo de desenvolvimento complexo e belo. E a ciência mostra essa vida presente desde o início da concepção. Trata-se sempre de vida humana que, no seu percurso, às vezes é inteiramente dependente do apoio de terceiros; outras vezes menos, mas que é sempre cheia da grandeza e da beleza do Amor com que Deus a sonhou e revestiu.
O aborto não é apenas uma simples interrupção do curso da vida, à maneira dum trabalho que se interrompe e se retoma. O aborto destrói para sempre um ser humano diferente do ser da mãe e é desumano resolver o drama da mãe, ansiosa por se libertar do filho que está no seu seio, com o drama maior da destruição duma vida própria, inocente e indefesa.
3. Defender e promover a vida humana exige, por vezes, muito sacrifício das pessoas directamente implicadas e também da sociedade, mas é dar passes firmes para uma civilização mais avançada.
Em vez de oferecer a uma mulher, aflita com uma gravidez indesejada, o presente envenenado do aborto, encontrem-se formas de lhe dar o apoio de que carece para acolher na alegria o dom da vida que cresce dentro de si.
4. Os católicos, individualmente e em grupo, sejam os primeiros a ajudar a mulher tentada pelo aborto, a recusar esta falsa solução. Ajudem-na, e ao pai se for conhecido, a crer que alguém há-de receber o filho, se na altura do parto ainda for recusado.
Muitas iniciativas se realizaram para ajudar a mulher com medo da sua gravidez, sobretudo após o referendo de 1998. Espero que tais iniciativas ganhem novo fôlego, nomeadamente em ordem à educação para o exercício responsável da sexualidade e ao planeamento familiar responsável.
5. Se os católicos devem participar em qualquer acto eleitoral, também pelo exercício do voto, muito mais o devem fazer neste referendo, dada a importância do assunto em causa.
6. Caros Diocesanos: conheço o vosso belo coração e sei que ides rezar e fazer o que puderdes para que a vida humana encontre, desde o seu início, as melhores condições para ser sempre verdadeiramente acolhida, defendida, promovida e engrandecida, como Deus nosso Pai tanto deseja.
Saúdo a todos em Cristo e sobre todos invoco a bênção do Senhor.
24 de Janeiro de 2007
† Gilberto, Bispo de Setúbal
Loading...
0 Respostas até “Nota Pastoral do Sr. Bispo D. Gilberto”
Deixe uma resposta